Numa delas, por exemplo, em que ele me falava sobre o seu projeto no pós-doutorado, uma frase me alcançou. Por isto, está aqui.
"Obrigado, eu ia à igreja quando criança. Como todos os meus colegas na escola tinham feito Primeira Comunhão, também fiz. Era uma forma de me sentir aceito. Assim mesmo, eu fazia minhas orações. Chegou um tempo, no entanto, em que decidi acabar com estas coisas todas. Parei de orar e parei de viver".
De fato, a partir daí as buscas todas terminaram em buracos profundos.
Numa dessas descidas, descobriu que não existe Deus, exceto o deus que cada um de nós é e a quem não se pode orar, porque ninguém pode orar a si mesmo, a menos que se ache um imperador romano.
A história, devo dizer, termina bem. Incomodado com a pretensão humana, voltou a ler a Bíblia, em busca de poesia e encontrou Deus.
Agora ele ora.
No seu pós-doutorado, quer escrever sobre poesia e oração.
Não lhe faltará material.
Pós-escrito: agora, dê-me licença, que preciso orar. Eu gosto de viver.
ISRAEL BELO DE AZEVEDO

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